Adam fala sobre o filme “Fairyland” com a Collider

Conforme publicamos aqui anteriormente, Adam faz parte do elenco do filme “Fairyland”, produzido por Sofia Coppola. O filme é uma adaptação do livro de memórias de 2013 de Alysia Abbott, que narra o relacionamento da autora com seu pai (Steve) durante a década de 70 e 80, quando ele, após se assumir bissexual, contrai AIDS e precisa lutar contra a doença, em uma época na qual os casos explodiam. Adam interpreta Charlie, um dos amantes de Steve. Além de Adam, o filme ainda tem no elenco Emilia Jones, Scoot McNairy, Geena Davis, Cody Fern, Maria Bakalova.

Após a exibição de “Fairyland” no Sundance Film Festival em Utah (EUA) em 20/01 deste ano, o elenco, incluindo Adam, assim como o roteirista Andrew Durham, visitaram o Estúdio da Collider em Park City. Durante a entrevista, cada um deles compartilhou o que o roteiro ressoou para eles, discutiram o “redemoinho” de fazer um filme independente, e também se abriram sobre o efeito cascata que a AIDS tem na comunidade queer e em todos os afetados por ela, além de discutirem as cenas emocionais do filme. Confira como foi a participação de Adam na entrevista:

1. Adam, você tem um papel pequeno, mas importante no filme, mas não falou sobre o que o atraiu para o projeto e tenho curiosidade.

Bem, Andrew entrou em contato e tivemos uma ótima conversa, e ele me contou sobre o livro de memórias. Eu li e achei lindo. Sempre adorei San Francisco dos anos 70, particularmente o Distrito de Castro [ver nota], o movimento de libertação gay. A família da minha mãe morava lá no Castro nessa época. Para mim foi o ápice. Essa foi uma era muito nostálgica com base nas histórias que ouvi.

Há muitas histórias queer sendo contadas agora, e isso é muito importante, e é algo que está muito atrasado. [Há] mais e mais personagens sendo lançados. [Há] mais e mais histórias. Sinto que estamos em um momento em que as histórias queer e a visibilidade são mais importantes do que nunca, e são a razão pela qual conseguimos acompanhar o ritmo em primeiro lugar. Acho que a mídia, a TV, o cinema, a música, somos nós que realmente ajudamos as pessoas a se sentirem confortáveis com a experiência queer.

Mas este filme em particular foi tão interessante, porque chocava com o movimento de libertação gay com um pai solteiro criando um filho. Achei tão interessante ver essas coisas misturadas de uma maneira tão bonita.

2. Você mencionou que tinha uma agenda apertada para fazer isso. Estou curioso, quando você estava olhando para a agenda, qual era o dia em que você circulou como “Como vamos fazer isso?” E também para os atores, houve algum dia na programação que o deixou um pouco preocupado ou nervoso?

E devo dizer, este é meu primeiro filme. Eu já estou na indústria do entretenimento há muito tempo no teatro e na música e tal, mas estava um pouco apreensivo. Eu estava tipo, “Bem, eu espero saber o que estou fazendo, e espero que eles gostem de mim e que eu não estrague as coisas.” Devo dizer que foi tão fácil. Me senti bem entre eles. Andrew apenas me fez sentir como se tudo estivesse bem. Entrei no set e conheci Scoot. Ele me deu um grande abraço e disse: “Estou tão animado”. Eu imediatamente senti como, “Ok, isso vai ser ótimo.” Conheci a Emilia. Parecia muito descontraída e a família já havia sido formada, mas não me senti um estranho quando entrei no set. Eu pensei que isso foi realmente incrível. Já vi o oposto acontecer.

3. É uma época vergonhosa na história da América. Mas uma das razões pelas quais estou tão feliz por este filme ter sido feito é porque temos que falar sobre isso, e não podemos enterrar essas coisas para debaixo do tapete. Essa é uma das muitas razões pelas quais achei que você fez um trabalho tão fantástico.

Eu diria, também, que perdi aquela época por 10 anos ou mais, mas crescendo na sombra dela, depois disso, o medo que estava em torno do sexo e da homossexualidade permeou-se nos anos 90. Eu era uma criança nos anos 90, mas se conseguia sentir isso. Qualquer coisa que você visse na TV sobre qualquer coisa gay era como se todos estivessem apavorados por causa do que aconteceu. Acho que olhando para a comunidade de hoje, a comunidade LGBTQ hoje, especialmente os jovens que estão surgindo, há muito da história que não passamos para nossa comunidade. Há muito disso que se perdeu. Muitos de nossos professores foram tirados de nós. Muitas das pessoas que agora seriam nossos anciãos não existem mais. A história pela qual a comunidade queer passou é muito importante agora, mais do que nunca, considerando o que está acontecendo no país, considerando que, como eu disse anteriormente, estamos sob ataque novamente.

Temos que garantir que todos saibam o que já aconteceu, para não voltarmos a cometer os nossos mesmos erros, e podermos aproveitar o que podemos aprender com isso e sair mais fortalecidos e mais unidos.

4. Sabe de uma coisa? Eu conversei com muitos diretores, e eles às vezes fazem uma edição experimental real, e às vezes funciona, mas é bom ter essa liberdade. Então pelo menos você tentou.

E a filmagem é tão legal também, porque ela se mistura perfeitamente também, e prova que você estava lá.

NOTA: O Distrito Castro é uma das comunidades mais vibrantes e culturalmente diversas de San Francisco, lar de belas casas Vitorianas, bares populares, restaurantes e discotecas.

Autoria do Post: Josy Loos
Fonte: Collider

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