Review do show: Segundo colocado do “American Idol”, Adam Lambert Ă© um vencedor para os fĂŁs de Portland
Na terça-feira à tarde, Michelle Garbett de Ridgefield, Wash, pagou um sem teto para guardar seu lugar no primeiro lugar da fila, do lado de fora do Crystal Ballroom, para que ela pudesse ser a primeira a entrar no show de Adam Lambert, na quarta-feira à noite.
”Se eu tivesse um filho, eu gostaria que ele fosse como Adam”, disse a senhora mignon de 57 anos de idade, que tinha decorado sua bochecha esquerda com um cĂrculo de pedras azuis. ”Ele Ă© lindo por dentro e por fora.”
A multidĂŁo que cercava o prĂ©dio – uma excitante mistura de mĂŁes vestindo cropped pants [calças de modelagem ampla para serem usadas na altura do tornozelo] e crocs [sapatos], adolescentes gĂłtico-gliterizados e lindos rapazes tatuados – obviamente concordava, gritando com prazer quando o segundo colocado da oitava temporada do ”American Idol”, saiu do seu ĂŽnibus para dar autĂłgrafos e tirar algumas fotos. Humilde e elegante, falando baixo e o rosto praticamente sem maquiagem, era um Lambert quase incompatĂvel com o artista “glamboyant” [glamuroso e extravagante] que tem lotado casas de shows menores ao redor do paĂs numa temporada de shows que viu sua parcela de turnĂȘs em dificuldade – mesmo com grandes nomes.
Duas horas depois, ele estava supervisionando de perto o palco de lasers num traje adornado de pele e plumas, ondulando entre os dançarinos e dando aos fãs apaixonados aglomerados dentro do Crystal, o devido retorno de seu tempo e dinheiro.
Infelizmente, os shows de abertura da Glam Nation Tour – a talentosa colega de Adam no “Idol”, Allison Iraheta e a ex-guitarrista de Michael Jackson, Orianthi – pareciam cansadas. A ex-parceira abriu seu caminho a gritos durante o curto e alucinado show que consumiu o restante de suas forças, e a australiana Orianthi saiu-se melhor. Suas habilidades estelares na guitarra acompanharam uma agradĂĄvel mas apagada voz.
Parecendo com o filho do amor entre Boy George e o capitĂŁo Jack Sparrow, Lambert finalmente apareceu Ă s as 09:50hs da noite – quase duas horas depois do começo do show – jĂĄ começando com um nĂșmero dançante, ”Voodoo” e logo em seguida abrindo caminho por quase todas as mĂșsicas do seu ĂĄlbum, ”For Your Entertainment”, incluindo a contagiante ”Fever” escrita por Lady GaGa e uma versĂŁo acĂșstica e mais acelerada do seu sucesso ”Whataya Want From Me”.
As baladas que se seguiram – incluindo a potente ”Aftermath” – foram adorĂĄveis, mas o show perdeu parte de sua energia neste ponto, assim como o fez durante algumas trocas de roupas desajeitadas. Lambert recuperou o momento logo apĂłs a Ășltima delas, sendo camarada com uma nova porção de brilho e finalmente liberando a sua assinatura aguda perfeita durante ”If I Had You” e um dos seus bis covers de ”Whole Lotta Love” de Led Zepellin. Decepcionante, porĂ©m foi sua versĂŁo ofegante de ”Mad Wold”, que terminou o show de 90 minutos. A mĂșsica do Tears for Fears que o diferenciou no ”Idol”, perdeu a comoção no arranjo muito acelerado pelo jeito.
Quer vocĂȘ seja um dos fĂŁs fervorosos que esperou o dia todo do lado de fora do Crystal, ou vĂȘ Lambert como um talento excessivamente teatral, criado numa competição, nĂŁo hĂĄ dĂșvidas de que o cara pode cantar pra valer e sabe algumas coisas a respeito de como entreter – o que significa que provavelmente nĂłs iremos ouvir falar de Adam Lambert muito depois que o show que o tornou famoso se torne uma simples nota na sua biografia da WikipĂ©dia.