O segundo lugar do “American Idol” Adam Lambert sentou com o escritor Fred Bronson para uma ampla entrevista. Na primeira parte, Lambert fala sobre suas primeiras influĂȘncias musicais.
NĂłs soubemos atravĂ©s do American Idol que vocĂȘ cresceu em San Diego, mas onde os seus pais moravam logo quando vocĂȘ nasceu?
Eu nasci no dia 29 de janeiro de 1982 em Indianapolis, Indiana. Eu acredito que minha mĂŁe engravidou em sua lua de mel em Porto Rico, eu tinha uma pequena camisa que dizia âConcebido em Porto Ricoâ. Nasci cerca de 9 meses apĂłs o casamento dos meus pais.
Eles se mudaram comigo de Indianopolis quando eu tinha 1 ano. Eles disseram: âIsso nĂŁo Ă© o lugar certo para nĂłs, queremos sair daqui.â EntĂŁo uma oportunidade de emprego apareceu para o meu pai e nĂłs nos mudamos para San Diego.
Onde em San Diego vocĂȘ cresceu?
Na parte norte, pelo maior perĂodo. Assim que nos mudamos, ficamos no Rancho Bernardo, mas nos mudamos para o Rancho Peñasquitos quando eu tinha 4 ou 5 anos e meu irmĂŁo nasceu. LĂĄ foi onde nĂłs nos estabelecemos.
Qual Ă© a sua mais antiga lembrança de mĂșsica?
Meu pai era um DJ no colĂ©gio, entĂŁo ele tinha uma enorme coleção de vinis e era muito orgulhoso dela. Sempre tinha mĂșsica tocando pela casa. Ele tocava Grateful Dead, que eu nunca gostei muito, mas tocava tambĂ©m muito rock clĂĄssico, Bob Dylan e Bob Marley. Meu pai tem um Ăłtimo gosto em mĂșsica.
VocĂȘ se lembra de pegar os vinis dele para ouvir?
Sim, em um ponto mais tarde da minha vida ele começou a deixar eu mexer em sua coleção. Isso foi uma grande responsabilidade, porque eu não sabia o que estava fazendo.
Onde mais vocĂȘ ouvia mĂșsica? VocĂȘ ouvia o rĂĄdio ou ia a alguma loja de CDs?
Eu nunca fui um grande fĂŁ de rĂĄdio, provavelmente porque meu pai ouvia os seus prĂłprios CDs. Quando mais velho, eu tinha um rĂĄdio e tinha uns CDs, preferia ouvi-los a ouvir o rĂĄdio.
Eu lembro da primeira uma vez que fui a uma loja e comprei alguns CDs. O primeiro que tive foi um remix do âShut Up and Danceâ da Paula Abdul, eu gostava muito. Outro que lembro era uma fita de KaraokĂȘ de Elvis Presley.
E cantava junto com eles?
Oh, sim. A mĂĄquina do KaraokĂȘ era muito boa. Eu tambĂ©m tive Wilson Phillips e âEmotionsâ da Mariah Carey. Esses foram meus primeiros CDs, lembro muito bem.
Quando vocĂȘ percebeu que tinha um talento para mĂșsica?
Aos meus 10 anos de idade, eu fui colocado em aulas de teatro para crianças. Eu sempre fui muito criativo e tinha muita energia. Eu era hiperativo e meus pais estavam tentando descobrir o que fazer comigo: me colocaram em aulas de futebol, mas eu não gostei muito. Fui até ser escoteiro. Eles tentaram de tudo, aulas de natação entre outros. Em casa eu era muito criativo, queria sempre me fantasiar e recitar textos, então descobriram que o teatro era o mais natural para mim.
Eu fiz vĂĄrios musicais e a primeira vez que descobri que tinha talento foi quando estava fazendo a peça âFiddler On the Roofâ. Tinha uma cena onde um Russo cantava sozinho na cena âLâChaimâ. Era tipo uma cena de bar. E tinha que alcançar uma grande nota. Era o momento mais esperado da peça e eu estava interpretando o papel dele.
Qual era a sua idade na época?
Eu tinha 12 ou 13 anos e realmente gostava de cantar. De repente, estavam todos dizendo, âEle tem uma Ăłtima voz”. Os pais diziam âEle realmente sabe cantar.â O diretor disse âVocĂȘ Ă© Ăłtimo, faça isso de novoâ e começou a me mostrar para as outras crianças. Foi depois disso que comecei a ter aulas de canto e descobri que cantar era algo que eu realmente gostava de fazer e era bom quando fazia.
E essa era a minha atitude. Eu não gostava de fazer as coisas a não ser que eu jå fosse bom nelas. Futebol e piano, eu tinha que praticar para ser bom, então eu não gostava. Mas tinha algo sobre cantar, a idéia de usar a minha voz, eu me sentia muito confortåvel com isso.
A princĂpio, eu copiava os outros cantores, mas foi assim que aprendi cantar.
O que vocĂȘ copiava? MĂșsicas de musicais?
Um monte de mĂșsicas de teatro. Eu ouvia os ĂĄlbums dos musicais. Eu tinha âLes Mizâ e âMiss Saigonâ. Eu era obcecado por âPhantom of the Operaâ. Eu lembro que quando o remake de âGreaseâ saiu, eu tinha o CD. Quando eu estava no ginĂĄsio, “Rent” saiu. Isso era um grande negĂłcio. Outra coisa boa era que o meu pai tinha os CDs de âJesus Christ Superstarâ e âTommyâ e me mostou. Isso foi uma boa coisa pra nĂłs porque era como se fosse os nossos mundos juntos. Ele amava que nĂłs tĂnhamos algo em comum e nĂłs dois amĂĄvamos âJesus Christ Superstarâ, nĂłs sentĂĄvamos e ouvĂamos algumas vezes. Em 1994, teve uma produção de âTommyâ no La Jolla Playhouse em San Diego, que foi quando se tornou um show da Brodway. NĂłs dois fomos juntos, e ele gostou muito.
âTommyâ foi o primeiro show da Broadway que vocĂȘ viu?
NĂŁo, eu lembro de ter visto âPhantom of the Operaâ em Los Angeles quando era criança e foi muito legal. âLes Mizâ e âWest Side Storyâ estavam em turnĂȘ e eu lembro de ter visto eles passarem pela cidade. Quando eu era criança, porque eu ia muito ao teatro, meu irmĂŁo mais novo começou a gostar tambĂ©m e minha mĂŁe nos levou a um agente em L.A. para que nĂłs pudĂ©ssemos fazer testes o tempo todo.
Testes para o teatro?
Quase nunca para o teatro. Era mais para comerciais de TV. Eu fiz um comercial quando era criança que quase não då para me reconhecer. Meu irmão que conseguiu muitos trabalhos, ele tinha mais sorte do que eu.
Como foi o comercial?
Foi um commercial da âCentury 21â. Eu tinha uns 11 anos. Eu corri por um jardim com um cachorro. Eu estava fora do colĂ©gio e achei a coisa mais legal do mundo. Foi o meu primeiro trabalho profissional.
VocĂȘ fez parte de algum musical no colegial?
Sim, em San Diego numa atividade apĂłs a escola. E tambĂ©m estive no âMetropolitan Educational Theatreâ por 8 anos. Era dirigido por um homem chamado Alex Urban.
Foi esse o grupo de teatro que vocĂȘ visitou no American Idol?
Sim. Esse foi o mais importante. TambĂ©m trabalhei com uma mulher chamada Lynne Broyles, que foi minha professora de canto. Ela tinha um pequeno grupo de teatro e nĂłs nos apresentĂĄvamos. EntĂŁo no colegial, eu estava no coral e tambĂ©m no clube de drama e cantei com uma banda de jazz. Eu tinha vĂĄrios serviços. Tinha tambĂ©m um show chamado âAir Bandsâ. Era um grande show em San Diego. Todo mundo dublava, mas era uma performance. Ă difĂcil de explicar. VocĂȘ sabe, se vocĂȘ parece com a Janet Jackson ou Madonna ou Michael Jackson, eles eram muito estilizados. Era um concerto com fantasias e maquiagens, com crianças pegando mĂșsicas e criando medleys. CriĂĄvamos um cenĂĄrio e uma histĂłria a partir das mĂșsicas. Foi essa grande competição, em San Diego e eu fiquei realmente envolvido na escola, eu olho pra trĂĄs agora e percebo que aprendi muita coisa e eu fico emocionado com isso. Eu acho que esse tipo de mentalidade de montar um show do inĂcio ao fim vai ser definitivamente Ăștil no futuro. Eu fiz no “Idol” (a idĂ©ia) Eu criava a apresentação toda.
O que vocĂȘ aprendeu nas aulas de canto?
Eu me reencontrei com a minha professora de canto no American Idol e a convidei para o show. Eu perguntei, âComo foi a primeira vez que vocĂȘ me deu aula?â e ela disse, âVocĂȘ tinha uma qualidade Ășnica de voz, mas queria entendĂȘ-la. VocĂȘ queria que eu te explicasse fisicamente como aquilo ocorria e sempre que vocĂȘ nĂŁo conseguia alcançar uma nota, vocĂȘ queria saber o porque e queria consertar.â Ela me disse, âVocĂȘ era muito fixado naquilo,â e isso foi muito interessante pra mim. Eu lembro de ter levado atĂ© ela o CD de âJesus Christ Superstar” com todas aquelas notas altas que eles cantam e falado âMe ensina a fazer isso,â e ela respondeu, âEsse som nĂŁo se ensina. Ă algo que vocĂȘ simplesmente faz. VocĂȘ tem que estar mais velho para conseguir fazĂȘ-lo.â EntĂŁo eu esperei.
Fora o comercial que vocĂȘ fez quando era criança, que outro trabalho profissional vocĂȘ fez?
Quando eu tinha cerca de 16 anos, fiz uma audição para o teatro Starlight. Ă um trabalho semi-profissional. NĂłs eramos pagos, mas nĂŁo era muita uniĂŁo. NĂłs tĂnhamos que literalmente congelar quando aviĂ”es passavam por cima de nĂłs, porque era bem na pista do aeroporto de San Diego. Havia pequenas luzes que ficavam amarelas e vermelhas quando um aviĂŁo fosse passar e vocĂȘ tinha que congelar. Era muito doido. Eu estive tambĂ©m em âHello, Dolly!â e âCamelotâ e no verĂŁo seguinte, eu fiz shows no Moonlight Amphitheatre, em iVista no North County: fiz o âThe Music Manâ, âGreaseâ e tambĂ©m fiz CapitĂŁo Gancho em âPeter Pan.â
Enquanto vocĂȘ estava fazendo esse trabalho no teatro, vocĂȘ tambĂ©m ouvia rock?
No colegial eu comecei a assistir a MTV e a ouvir pop. Por mais estranho que pareça, eu gostava muito de Missy Elliott e eu lembro que Britney, Christina, âN Sync e Backstreet Boys tinham acabado de sair. Eu gostava de todos os remixes.
VocĂȘ mencionou ter feito parte de uma banda de jazz no colegial, entĂŁo vocĂȘ era exposto a todos os tipos de mĂșsica?.
Quando eu era mais novo, eu ouvia muito mĂșsicas de teatro e quando fiquei mais velho, eu queria ouvir mĂșsica pop.
A banda de jazz tinha convidados especiais para os concertos e era uma boa experiĂȘncia para meu aprendizado. Era a primeira vez que eu cantava com uma banda completa atrĂĄs de mim. AtĂ© no teatro nĂłs nĂŁo tĂnhamos uma orquestra. Era sĂł piano porque nĂŁo custava caro. No teatro Starlight e todos os musicais do colĂ©gio tinham orquestras e eu finalmente tive a experiĂȘncia de cantar com uma banda. Mas a banda de jazz foi interessante porque nĂŁo era teatro. Era cantar grandes nĂveis, foi diferente para mim quando cantei Sammy Davis Jr. VocĂȘ sabe, nĂveis como âPaper Moonâ.
Esses nĂveis foram difĂceis para vocĂȘ?
Eu jĂĄ tinha ouvido algumas mĂșsicas dele, mas a maioria das mĂșsicas eram novas para mim e eu tive que aprendĂȘ-las. NĂłs fizemos blues tambĂ©m. Era muito educacional. No coral, nĂłs Ă©ramos um coral clĂĄssico, entĂŁo cantĂĄvamos em latim e em vĂĄrias outras lĂnguas. As mĂșsicas eram Ă capela e muito orquestrais e complicadas. Ensinaram-me muito a usar a minha audição e harmonia.
A esse ponto, vocĂȘ jĂĄ sabia o que queria fazer com sua vida?
Eu queria me apresentar. AtĂ© no colegial, eu estava dizendo, âEu quero me apresentar na Broadway. Eu quero fazer teatroâ. EntĂŁo eu tinha esse sonho que iria pra universidade e de lĂĄ para New York me apresentar na Broadway. Minhas notas nĂŁo eram Ăłtimas porque eu era muito distraĂdo com as atividades fora do colĂ©gio e eu nunca me importava o bastante. Eu falava, âAh, eu nĂŁo quero fazer meu dever de casa. Eu nĂŁo quero estudar pro testeâ. Eu deixava rolar. Eu era um aluno de notas B, entĂŁo nĂŁo tinha notas boas o suficiente para entrar nas boas universidades de teatro. Eu queria ir para Cincinnati ou NYU, mas nĂŁo consegui. Entrei na California State Fullerton.
VocĂȘ Ă© graduado nas artes dramĂĄticas?
NĂŁo, eu fui a universidade porque eles tinham um bom programa musical de teatro, mas assim que as aulas começaram, eu comecei a ensaiar para uma peça chamada âGreaseâ, no Moonlight e era a primeira vez que eu ia interpretar um papel. Eu era Doody e estava muito empolgado e distraĂdo porque ia ter minha prĂłpria mĂșsica, que ia fazer uma peça, que acabei nem indo para as aulas. Na 5ÂȘ semana de aula, eu decidi que nĂŁo queria mais estudar. A peça tinha acabado e eu decidi que queria aprender trabalhando. Eu achei que pudesse conseguir mais empregos, era um pensamento muito idealista. Foi infantil, sabe, mas eu pensei, âComo eu posso continuar no colĂ©gio?â Nos Ășltimos 18 anos da minha vida, eu estive aprendendo mas eu queria ir e viver no mundo real. Eu assisti a algumas aulas, mas pensei, âEu nĂŁo vou aprender nada aqui. EstĂŁo dizendo coisas que eu jĂĄ sei.â Eu estava sendo ridĂculo e aprendi do jeito mais difĂcil que as coisas nĂŁo funcionam assim. Eu abandonei a universidade e meu pai disse, âEu nĂŁo vou pagar as suas contas. VocĂȘ vai ter que arrumar um emprego.â EntĂŁo eu consegui um no Macyâs em Orange County no shopping, perto de Fullerton. Eu fazia os consertos e fiquei lĂĄ por uns 6 meses e me mudei para Hollywood. Eu tinha alguns amigos comigo lĂĄ, mas era miserĂĄvel. Eu nĂŁo conseguia arrumar um emprego, eu nĂŁo conseguia trabalhar e eu era gordo. Estava me sentindo um pouco sĂł, com 19 anos, quando consegui meu primeiro emprego em um cruzeiro.